Há duas semanas, assisti Madeleine Peyroux no Via Funchal.
O show não tinha cenário, iluminação, figurino, maquiador, cabeleireiro, não foi feito em um lugar adequado (muito intimista para o Via Funchal) e, ainda assim, foi maravilhoso.
A única coisa que o show tinha era Madeleine, com sua voz multi-tons, acompanhada de seus 4 músicos.
Pensando bem, quem precisa de mais?
domingo, 30 de setembro de 2007
Half the Perfect World
Show me the money! Or not!
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2007/09/24/ult574u7820.jhtm
Marcelito, seu pedido é uma ordem... Quer saber minha opinião a respeito, então, lá vai:
Bom, pra quem não leu o texto (link acima) e nem vai ler, o resumo é o seguinte: a mulherada tá ganhando mais que os homens, invertendo aquilo que foi regra durante décadas. O resultado é que nem um nem outro sabe bem como lidar com isso.
À primeira vista, o texto fica parecendo coisa de americano que quer divulgar o início das filmagens de Sex and The City – O Filme. Ou, então, coisa de gente milionária.
Bom amigos, direto da vida real verde-amarela tupiniquim brazuca, eu garanto: isso existe mais do que vocês possam imaginar.
E não estou falando só de grana. Hoje, o homem se sente ameaçado por mulher que ganha mais, por mulher que sabe mais, por mulher que pode mais – o que tem se tornado cada vez mais comum. Existem algumas exceções, claro, mas, como toda exceção, ela é bem difícil de se encontrar.
Outro dia mesmo, uma amiga estava falando sobre um encontro e ela usou a seguinte expressão para descrever o dito cujo: “Ele é o tipo de cara pra quem você não tem que fingir que é burra”. Em outras palavras: para todos os outros tipos de cara você finge que é uma coisa que não é só pra garantir um pouco de amor e carinho.
Acredito que daí vem boa parte do conflito que muitas mulheres têm vivido: o fato de ser bem sucedida e inteligente, de certa forma, acaba por impedir que novos relacionamentos aconteçam ou continuem.
O problema é que, quando as meninas queimaram seus soutiens em praça pública, elas esqueceram de combinar com os meninos como a brincadeira ia ser dali pra frente. Só que os meninos continuaram brincando como antes, mas elas não...
De certa forma, essa visão de homem provedor ainda é o mais culturalmente aceito e, mesmo nas gerações atuais, vejo meninos e meninas sendo criados de maneira diferente, com a repetição de padrões culturais do tempo de nossos avós. Enquanto isso acontecer, os homens vão continuar se sentindo ameaçados e as mulheres vão continuar se sentindo envergonhadas.
Com exceção das novelas da Globo e dos filmes de Hollywood, o que acontece são tentativas de se passar por cima de alguns conflitos internos. Mas chega uma hora em que a pessoa não agüenta mais. Aí, bom, acho que vocês já sabem...
E fica a dúvida: será que se eu fosse diferente as coisas também seriam diferentes? Será que eu deveria abrir mão disso para ter um homem do meu lado? Embora, de imediato, a resposta pareça muito simples (não, não e não), em momentos de solidão ou quando um relacionamento em que você acreditava termina, o “não” perde muito da sua força. E você fica se perguntando o que é mais importante.
É, meninas, não é justo... Mas, também, quem disse que a vida é justa!!! Só torço para que a exceção vire cada vez mais regra e para que, enquanto isso não acontece, uma exceçãozinha apareça pra mim. Pô, eu também mereço...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Mas isso não impede que eu repita...
Não tem sido fácil. Desde o começo do ano, foram algumas decepções. E, ontem, não foi diferente. Mais uma...
Dizem que as coisas acontecem para que a gente aprenda e cresça. É que, às vezes, cansa. Às vezes, você quer ficar um tempo sem passar por isso, porque dói, porque, na hora, a gente não consegue abstrair e pensar que vai ser bom lá na frente. E a gente sofre, chora, grita, deixa de ter esperança.
Nessa hora, tem que juntar toda a força que ainda resta pra seguir, pra olhar ao redor e ver que nem tudo está perdido.
Não sou uma pessoa pessimista. Por isso, acho que, apesar de Deus estar me colocando à prova tantas vezes, Ele também dá um jeito de me lembrar como a vida vale a pena.
Por exemplo, ontem, cheguei em casa depois da aula e tive que passar na portaria do prédio. Indo pra lá, vi que estavam molhando a grama e senti aquele cheiro de terra molhada. Um cheiro tão simples, tão banal e tão maravilhoso, um cheiro de casa, de gente feliz, de vida boa. Um cheiro capaz de repor minhas energias, de me fazer levantar a cabeça e continuar.
E assim como algo tão normal me mostra que são momentos como esse que fazem a diferença, sei que muitos outros existem. Espero ter o poder de reconhecê-los e valorizá-los para que, com isso, a energia necessária possa sempre ser reposta.
sábado, 15 de setembro de 2007
Do Brasil e de brasileiros
Na semana em que minha esperança com o país quase acabou, leio a entrevista do Millôr e uma nova luz se acende.
Sim, há vida inteligente por aqui. O problema é que ela sempre fica muito longe de Brasília (pensando bem, caso contrário, ela não seria tão inteligente assim!).
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070915/not_imp52247,0.php
sábado, 1 de setembro de 2007
Abana rabinho
Recentemente, ouvi uma expressão precisa para identificar aquele tipo de homem que não pode ver uma mulher: é o homem abana rabinho.
Sabe cachorro quando aparece alguém e, como ele acha que vai brincar, fica abanando o rabinho para chamar a atenção? Pois é, é praticamente a mesma coisa.
O homem abana rabinho, quando vê uma mulher, processo intensificado caso ela seja bonita, muda de comportamento. Estufa o peito, tenta fazer piada, aparecer o máximo possível, tenta chamar a atenção do alvo imaginando o que pode acontecer mais tarde. Atira para todos os lados: onde acertar, acertou.
Eu, particularmente, acho esse tipo de homem bem covarde. Primeiro, porque ele tem medo de se envolver, seja porque não quer correr o risco de se machucar, seja porque ainda não está maduro o suficiente para entrar em uma relação. Segundo, porque esse perfil de franco atirador me passa uma idéia de carência que precisa ser preenchida com o maior número possível de parceiras (como se isso preenchesse qualquer carência!).
O mais triste é notar como o número de abana rabinhos é alto. E independe de idade ou estado civil, eles estão aí aos montes.
Rapazes, amadureçam, não tenham medo de se envolver. Estar com alguém e crescer com esse alguém é bom, é enriquecedor, é gostoso. Continuem abanando o rabinho, mas para uma pessoa só. Não estou dizendo que vocês não vão mais olhar para as outras (eu também olho para os outros), mas é um olhar diferente, que não pressupõe derrubar (ok, esse termo é péssimo, mas não consegui pensar em outro). Conquistar a mesma pessoa todos os dias também é um grande desafio. Aliás, muito maior do que conquistar várias.
Pensando bem, esse pode ser mais um motivo pelo qual vocês evitam isso...