domingo, 17 de fevereiro de 2008

Motosolidariedade

Na última sexta, indo pro trabalho e usualmente atrasada, peguei um trânsito acima do normal (isso ainda é possível em SP, afinal, o que é normal???) na Washington Luis.

Achei aquilo meio estranho, especialmente por aquele se tratar de um trecho mais tranquilo.

Pois bem, alguns metros depois, entendi o que estava acontecendo: na pista oposta, havia ocorrido um acidente envolvendo um carro e um motoboy. Mas, se o acidente foi do outro lado, por que o meu também estava congestionado? Porque, em SP, motoboys formam uma das classes mais solidárias da cidade.

É incrível: se um motoboy cai da moto, instantaneamente, um "enxame" de outros motoboys surge. Parece mágica, mas, em segundos, eles estão lá. E, no meu caso, o que aconteceu é que, ainda que do outro lado da avenida, todos os motoboys que passavam no sentido em que eu estava paravam pra ajudar o colega caído, o que levou ao fechamento "espontâneo" de duas das quatro pistas da avenida...

Quem dera o povo brasileiro tivesse esse senso de solidariedade. É claro que, ainda que solidários, eles fazem isso para o bem e para o mal (ninguém é perfeito, mesmo). Consideram-se os donos da rua e, no limite, somos nós, motoristas, que impedimos o bom andamento do negócio - no caso, o negócio de entregas.

Mas, tirando esse lado menos nobre, não dá pra negar que eles se ajudam, e muito!

E eu me pergunto: por que as pessoas não fazem isso sempre, não buscam ajudar o próximo quando é preciso? Não somos todos motoboys, mas somos todos gente e, no limite, não é isso uma das coisas que de mais forte temos em comum?

Raramente vejo toda essa solidariedade no dia-a-dia, inclusive, e especialmente (o retrovisor do meu antigo carro que o diga!), vinda dos motoboys. Sem dúvida, isso faria da nossa cidade, do nosso país, um lugar bem melhor, e bem mais legal, pra se viver...

2 ingredientes novos:

Anônimo disse...

Ahn... solidariedade ou corporativismo?
Ajudar quem precisa ou intimidar o inimigo?
Tempos difíceis, estes...

Déa disse...

Olha, eu diria que é uma solidariedade corporativista...