quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Pé sujo

Adoro um boteco, daquele bem fuleiro, bem pé sujo, onde você quase não tem coragem de comer nada, mas sabe que vai beber a melhor cerveja.

Não se iludam, também gosto de restaurante chique, um ou outro bar da moda, lugares descolados. Como disse uma amiga outro dia, eu vou "do luxo ao lixo". Achei apropriado.

Mas tem algo especial sobre o pé sujo. Lá, eu me sinto bem. Talvez porque eu possa ir à vontade, sem me preocupar com roupa, maquiagem, cabelo. Mais ainda, porque lá as pessoas não vão para ver e serem vistas, elas vão pra jogar conversa fora, desafogar as mágoas, rir e chorar dos fatos da vida. Como não se sentir em casa em um lugar assim.

E que delícia poder encontrar gente de todo tipo nas mesinhas de ferro, daquelas que já vêm com a propaganda da cerveja e que estão sempre bambas: novo, velho, gordo, magro, feio, bonito. No pé sujo, todo mundo é igual. Aliás, sempre que passo na frente de um, fico imaginando as histórias de seus freqüentadores, romantizo a respeito de suas vidas, crio dramas e comédias. O gênero do filme vai depender de uma palavra solta, se a mesa está cheia ou não, se o que se ouve são risadas ou sussurros.

Vida longa ao botecão, às mesas e cadeiras de ferro (ok, também são aceitas variações em madeira), à cerveja em garrafa (e à sua "camisinha"), ao copo baixinho de bar, ao garçon simpático e a todas as pessoas que fazem de lugares assim locais tão divertidos.






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